O que é o edema macular diabético?
O edema macular diabético é o acúmulo de líquido na mácula, que é a parte central da retina, a responsável pela visão de detalhe. O açúcar alto por anos danifica os vasos pequenos da retina, que passam a vazar. Quando esse vazamento chega ao centro, a mácula incha e a visão de detalhe embaça, mesmo com o resto da retina funcionando.
O edema macular diabético não é a mesma coisa que retinopatia diabética. A retinopatia diabética é o conjunto do dano nos vasos da retina. O edema macular diabético é uma das consequências desse dano, a que atinge o centro da visão. É possível ter retinopatia sem edema, e é possível ter edema em qualquer fase da retinopatia.
Por que a visão embaça mesmo com o açúcar controlado?
Porque o controle do açúcar reduz o risco, mas não apaga o dano que os vasos já sofreram. A retinopatia diabética se forma ao longo de anos e continua existindo depois que os exames de sangue melhoram. Além disso, a visão embaçada no diabetes nem sempre vem da retina: a variação do açúcar muda o grau por alguns dias, e a catarata é mais frequente.
Existe ainda uma situação que confunde muita gente: quando o açúcar, depois de muito tempo alto, cai rápido demais, a retinopatia pode piorar por um período antes de estabilizar. Isso não é motivo para deixar de controlar o diabetes. É motivo para fazer o exame de retina junto com a mudança de tratamento, e não depois.
Dá para ter edema macular diabético sem perceber?
Sim, e é comum no começo. O líquido pode se acumular fora do ponto exato da visão central e não dar nenhum sintoma, ou dar um embaçamento leve que a pessoa atribui ao cansaço ou ao grau do óculos. É por isso que o exame de retina é feito por rotina em quem tem diabetes, e não apenas quando a visão muda.
Qual exame mede o líquido na mácula?
A OCT, tomografia de coerência óptica. Ela fotografa a retina em corte, mostra em que camada está o líquido e mede a espessura da mácula em micrômetros. Por ser uma medida, a OCT permite comparar um exame com o outro e dizer se o líquido diminuiu. É essa medida que orienta a decisão do tratamento, junto com o que a pessoa enxerga.
A OCT não dói, não precisa de agulha e leva poucos minutos. Na maior parte das vezes a pupila é dilatada com colírio antes do exame, o que embaça a visão de perto por algumas horas. Não dirija depois. Vá acompanhado, se puder, e leve óculos escuros.
Quando o tratamento é injeção e quando é laser?
A injeção intravítrea é o tratamento mais usado quando o líquido atinge o centro da mácula, porque age sobre o vazamento dos vasos. O laser é usado quando o vazamento está fora do centro e em parte dos casos que não respondem bem às injeções. Os dois também podem ser combinados. A escolha depende do que a OCT mostra em cada olho.
Por que o intervalo entre as injeções muda?
Porque o intervalo é decidido pelo exame, e não pelo calendário. O tratamento costuma começar com uma sequência de aplicações mensais. Depois, cada retorno tem OCT, e o resultado dela define se a próxima aplicação fica mais perto ou mais longe. Olhos que ficam secos por mais tempo espaçam; olhos que voltam a acumular líquido encurtam o intervalo.
É por isso que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter planos de tratamento diferentes, e é por isso que faltar ao retorno atrapalha mais do que parece: sem a OCT do dia, não há como decidir o intervalo seguinte.
A visão volta depois do tratamento?
Depende do que foi afetado e de há quanto tempo. Quando a perda vem do líquido, tirar o líquido pode melhorar a visão. Quando as células da mácula já sofreram dano, a parte perdida não se recupera, e o objetivo passa a ser preservar a visão que existe. É uma avaliação individual, feita com o exame na mão.
Existe pesquisa publicada sobre esse assunto aqui?
Sim. O doutorado do Dr. Murilo, concluído em 2020 na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, foi um ensaio clínico que comparou dois medicamentos para o edema macular diabético persistente. A tese está publicada com texto completo aberto no repositório da USP e pode ser lida por qualquer pessoa.
DOUTORADO
Doutorado concluído na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, em 2020, com um ensaio clínico que comparou dois medicamentos para o edema macular diabético persistente.
Por que isso importa aqui: edema macular diabético é a causa mais comum de perda de visão no diabetes, e é uma das condições tratadas com laser e com injeção pelo Dr. Murilo.
"Ensaio clínico randomizado comparando triancinolona e bevacizumabe para tratamento do edema macular diabético persistente" · FMRP-USP, 2020
Verificar na fonte ↗Quando procurar avaliação?
Quem tem diabetes faz exame de retina pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintoma, e com intervalo menor quando já existe alteração. Fora da rotina, qualquer mudança na visão é motivo de avaliação: embaçamento novo, mancha que não sai, pontos escuros que aparecem de uma vez. A frequência do acompanhamento é definida pelo médico.